Ontem, na piscina, naquelas mais fundas, sabe? Então, eu estava num clube com um pessoal, minha namorada e aquele amigo chato que sempre estraga todas as festas. Este chegou e me pediu um cigarro. Outro? Mas sempre eu acabo emprestando. Minha namorada odeia meu vício, ela diz que eu vou acabar morrendo de câncer nos testículos. O correto seria o pulmão, mas ela diz nos testículos pra eu ficar com mais medo.
O problema foi anteontem. Eu já estava meio alto por causas das cervejas que tomei no churrasco, e ele lá falhou. Foi a primeira vez que isso me aconteceu. Tenho vinte e três anos e nunca falhei. Nós ainda não comentamos nada sobre o assunto.
Enquanto meu amigo fumava, umas crianças chatas corriam por perto e chutavam sempre a bola em nossa direção. Mas que saco! Criançada chata! Por que não enfia a bola... Esse meu amigo resmungava, mas nada se resolvia. Ele, que além de cigarro, cheirava umas coisas também, já estava puto.
As horas passavam enquanto torrávamos no sol. Minha namorada acabou dormindo na esteira. Eu estava no bar jogando um truco com os tios. Meu amigo, sei lá.
- Meu Deus! Alguém ajuda!
Só faltava essa. Todos desceram até a piscina, onde já havia uma multidão curiosa. Um menino, aquele que chutava a bola, havia se afogado. A coisa era brava. O garoto ainda não respirava. Foi levado ao hospital inconsciente. Morreu, certeza.
Dez minutos depois, nós ainda estávamos na piscina. O povo já tinha se espalhado. Quem tinha que ir ao hospital ou ao enterro já não estava mais por ali. Logo, esse meu amigo, com olhos vermelhos - não de choro - chegou e sentou-se ao nosso lado. Estava calmo. Não mais puto como antes, por causa da molecada com a bola. Enquanto todos o olhavam em silêncio, ele disse:
- Tudo resolvido.
3 comentários:
Hm.. isso aí garoto esquisito, muito bom voce ter postado.
Gostei do texto, só achei que tem informação demais. Me perdi numa vez ou outra e voltei pra ver de quem voce tava falando. Essa história afinal é sobre uma brochada ou sobre o cara que quase morreu?
Hasta la vista chico! Besos
Oi, Ellen,
O texto, na verdade, é sobre os dois. Sem contar, que ele tem essa pretensão de ser confuso pela própria personalidades das personagens. Essa idéia de desorientação é, de certa forma, proposital. Só espero não ter feito um texto incompreensível. Se ele assim estiver, me dê outro toque.
Gracias!!!
Não!
Ele é perfeitamente compreensivel na medida que eu já sei que é pra ser confuso.
(deu pra entender?)
Tudo bem, eu também sou esquisita.
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